A Senhora Presidente da Câmara Municipal
de Espinho, Dra. Maria Manuel Cruz, deu ordem aos serviços municipais para que me
fosse comunicado o seu Despacho 20/2024, pelo qual me exonerou das funções de
Chefe de Gabinete do Município a que preside, com efeitos no dia de ontem.
E essa comunicação (no conteúdo e
na forma), fez-me refletir sobre alguns “desconhecidos” que os últimos tempos me
fizeram conhecer…
Um primeiro: o burnout (doença
profissional que não desejo ao pior dos seres humanos).
Um segundo: o de que estar em burnout
me deixou incapacitado para exercer uma atividade – profissional ou não – que
exija esforço cognitivo: coisas que sempre tive por básicas (como escrever ou
ler) são-me verdadeiramente penosas, neste momento.
Um terceiro (aliado, a esse): estes
quase dois meses de incapacidade para o trabalho e a exigência de um médico de
que “metesse baixa” pelo tempo necessário a recuperar.
Um outro (des)conhecido: saber que
sou o responsável maior por este estado estúpido em que me encontro: levei o meu
corpo e a minha mente para além de limites dos quais nem sequer me deveria ter
aproximado; achei que trabalhar 12 ou 14 horas seguidas não me causaria dano, que
não consagrar os fins de semana ao descanso não deixava mossa, tive a petulância
de não dormir para ter tempo de fazer tudo o que me aparecia à frente para ser
feito…
Pelo meio disso, tive de lidar
com o desconhecido mais difícil de admitir: que ter vocação para as políticas
não é a mesma coisa que ter vocação para a política…
E, se nada disso, agora, me é
desconhecido, só ainda não sei quando recuperarei e me regressará essa
capacidade (que me faz falta e me define como ser humano) de fazer vida dos problemas
dos outros.
Vale-me, porém, a plena confiança
de que as médicas e a psicoterapeuta que me vêm acompanhando me dizem a verdade,
quando me asseguram que, com a paragem que me exigem, a medicação e a terapia, ela
regressará e regressará mais cedo do que imagino.
Venham, pois, o tempo, as ajudas e
a “paciência”, para que também o recuperar completamente seja um meu conhecido…
Até lá: vou ter de viver o mais estranho
de todos os desconhecidos: o Carapeto inativo…